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Maria: da devoção à fé!

Publicado: Terça, 19 Maio 2015

Certamente alguém já terá se perguntado por que as festas marianas arrastam multidões, enquanto as festas que celebram os mistérios de Cristo (por exemplo, Corpus Christi) não conseguem senão reunir umas poucas centenas de pessoas? Possivelmente haverá muitas explicações para este fenômeno, mas o fato é que a devoção a Maria sensibiliza e toca muito mais as pessoas do que qualquer outra devota manifestação aos mistérios da fé católica.

Obviamente não queremos afirmar que aquilo esteja errado e isto seria mais correto. O que queremos aqui é propor uma reflexão sobre a devoção mariana como um importante instrumento para uma fé mais madura e mais cristocêntrica. Sim, por meio da fervorosa devoção mariana pode-se chegar ao centro da nossa fé – o Cristo de Deus. Ao mesmo tempo, a fé em Cristo se expressa de muitas maneiras no mistério da Igreja que tem em Maria o seu primeiro e mais eminente membro.
Com efeito, fazendo a resenha de alguns títulos marianos (deixando de lado aqueles ligados às aparições como Lourdes, Fátima, etc.) percebe-se que por trás destes, encontram-se, bem encarnados, os mais profundos mistérios da nossa fé, os mistérios de Deus e da Igreja. Os mistérios de Cristo, o filho de Deus, são “traduzidos” e popularizados pela devoção do nosso povo bem como pela Sabedoria da nossa Igreja e associados a Nossa Senhora, Virgem de Nazaré de tantos Nomes.
Cada nome que Maria recebe está associado a um aspecto da fé cristã católica, conforme recebemos das Escrituras, de modo que por meio da devoção a Maria - invocada sob diversos títulos -, não fazemos outra coisa senão fixar o nosso olhar no coração dos Mistérios de Deus atuados na nossa história através de Jesus e da sua Igreja. Temos assim:
O primeiro título de Maria, quase um sobrenome, é geográfico: Nossa Senhora de Nazaré. O anjo apareceu a uma virgem do povoado de Nazaré. Ali, naquele “insignificante” lugar, Deus começa a por em ato a plenitude das ações dispondo o caminho e o coração de Maria para o nascimento do seu Filho bem amado! Nazaré, juntamente com Belém, não é o lugar das promessas, mas da realização delas. E Maria é a virgem escolhida de Deus, ela representa todos os que em todos os tempos se põem a serviço do Reino dando seu sim a Deus.
Nossa Senhora Mãe de Deus (Theotokos, aquela que “pariu Deus”) é o maior de todos os títulos, evoca a maravilha do mistério da Encarnação: o Verbo de Deus se fez carne no seio da humanidade, no ventre de uma mulher. Maria é, portanto, a mãe do Filho de Deus, segundo a humanidade! De algum modo, todos os outros títulos decorrem deste! Há uma frase latina muito usada pela Legião de Maria - ad Iesum per Mariam (a Jesus por Maria) – que traduz muito bem o sentimento da Igreja: por meio da devoção mariana se pode chegar ao coração do mistério da fé em Cristo. Com efeito, tudo o que Deus quer da humanidade já encontrou uma forma concreta e perfeita em Maria de Nazaré, a Senhora de tantos nomes.
Os mistérios de Deus se realizaram de tal modo em Maria a ponto que a sua própria vida se tornou espelho destes mesmos mistérios. Ela que guardava, conservava e meditava todas as coisas em seu coração (Lc 2,19.51) é, certamente, como diz o canto, “o exemplo fiel de como a Igreja deve ser para na história realizar o querer do Pai... sinal de fé, justiça, amor, verdade e paz”.

Pe. Flávio M. Colins

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