Campanha nacional reforça prevenção, diagnóstico precoce e cuidados diários com a saúde bucal
O Novembro Vermelho chama atenção para o câncer de boca — uma doença menos conhecida, mas com alta incidência no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), trata‑se do oitavo câncer mais frequente no país, com maior ocorrência entre homens. Em 2020, foram registrados mais de 6 mil óbitos, número que sublinha a urgência do diagnóstico precoce.
Por que a detecção precoce faz diferença
O diagnóstico em estágios iniciais aumenta significativamente as chances de cura. Como alerta a especialista citada na campanha: “Infelizmente, muitas pessoas ainda procuram o dentista apenas quando sentem dor, e acabam deixando passar sinais que poderiam ser identificados logo no início. O diagnóstico precoce é o fator que mais impacta nas chances de cura, que podem variar de 70% a 90% quando o tratamento começa cedo”, ressalta a dentista e diretora da Neodent, Priscila Gonçalves Cordeiro.
Por isso, a combinação entre autoexame regular, consultas odontológicas de rotina e atenção a fatores de risco (tabagismo, consumo de álcool, exposição excessiva ao sol nos lábios, entre outros) é central para reduzir mortalidade.
Como fazer o autoexame da boca: passo a passo
O autoexame é simples, pode ser feito em casa e ajuda a identificar alterações que merecem avaliação profissional. Siga estes passos com boa iluminação e um espelho:
1. Lábios: observe por fora e por dentro. Procure feridas, manchas ou áreas endurecidas.
2. Gengivas e bochechas: verifique por manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, úlceras que não cicatrizam e caroços.
3. Língua: examine a superfície (de frente e de lado) e a parte inferior, levantando a língua para inspecionar o assoalho da boca.
4. Céu da boca: cheque por alterações de cor ou textura e por qualquer irregularidade.
Se notar feridas, manchas, caroços, sangramentos incomuns, dor persistente ou dificuldade para engolir ou falar, procure um cirurgião‑dentista o quanto antes. A recomendação é buscar avaliação profissional principalmente se os sinais persistirem por mais de duas semanas.
Implantes e acompanhamento: por que manter a rotina
Quem tem implantes dentários precisa seguir os mesmos cuidados preventivos, com atenção especial às consultas de manutenção. Como orienta a especialista: “O dentista consegue identificar qualquer alteração durante as consultas de manutenção, o que é imprescindível não só para manter a integridade dos implantes, como também para investigar afundo possíveis lesões que mereçam mais atenção. Pacientes com implantes devem manter a rotina de higiene e acompanhamento profissional, assim como qualquer outro paciente”, orienta Priscila.
A recomendação prática é realizar avaliações periódicas com o dentista, idealmente a cada seis meses, e praticar o autoexame com regularidade — sobretudo em pessoas acima dos 40 anos e naquelas com fatores de risco acumulados.
O que fazer se encontrar sinais suspeitos
1) Anote há quanto tempo o sinal persiste e se houve mudança no aspecto.
2) Marque consulta com um cirurgião‑dentista para investigação clínica. Se necessário, o profissional encaminhará para biópsia ou avaliação por especialista.
3) Evite automedicação e mantenha registro fotográfico das lesões para acompanhar evolução até a consulta.
Pequenas atitudes de prevenção e a busca rápida por ajuda profissional podem transformar prognósticos e salvar vidas.
Reflexão cristã
Cuidar do corpo e da saúde é também um gesto de responsabilidade para com a vida que nos foi confiada. A atenção aos sinais do corpo e a busca por cuidados médicos manifestam amor ao próximo — inclusive à família que nos espera bem‑cuidada.
Como colunista, acredito que fé e prudência caminham juntas: orar e confiar é importante, mas não dispensa ações concretas de cuidado. Manter consultas regulares e praticar o autoexame são formas práticas de administrar o dom da vida com sabedoria.
— Leonardo de Paula Duarte
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