Ciway 470 e R$ 1 bilhão da Portonave: por que Navegantes pode se tornar o maior corredor logístico do Sul

Investimentos, infraestrutura e sustentabilidade conectam porto, galpões e cidades no litoral norte

O crescimento portuário em Santa Catarina segue em ritmo acelerado e tem impacto direto no mercado imobiliário e na logística da região.

Crescimento dos portos e dados recentes

Segundo a Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias, com base na Antaq, “No primeiro semestre deste ano, os portos catarinenses movimentaram mais de 32,2 milhões de toneladas de cargas, um aumento de 5,23% em relação ao mesmo período de 2024.”

O avanço local “supera com folga a média nacional, que foi de apenas 1,02%” e coloca o estado em destaque. No segmento de contêineres, “o avanço foi ainda mais expressivo: 12,4% de crescimento, totalizando 1,34 milhão de TEUs — o equivalente a 19,2% de toda a movimentação do país.”

Parte desse desempenho vem da atuação da Portonave: a empresa “movimentou 4,8 milhões de toneladas no semestre” e “anunciou um plano de investimento de R$ 1 bilhão até 2026 para ampliar sua capacidade e receber navios de até 400 metros de comprimento.”

Ciway 470: números, tecnologia e sustentabilidade

Entre os novos empreendimentos está o Ciway 470, descrito pela incorporadora como “um complexo logístico de padrão internacional em construção em Navegantes.”

O projeto, desenvolvido pela Ciway (Grupo Saes), combina escala e tecnologia: “o projeto Triple A reúne certificação ambiental LEED e tecnologia IoT aplicada à gestão operacional.”

Em termos de área e módulos, “Com mais de 200 mil m² de área construída em um terreno de 250 mil m², o Ciway 470 é atualmente a maior estrutura do Sul do Brasil no segmento logístico.” Além disso, “São 94 módulos flexíveis, de 1,8 mil a 6 mil m², voltados para operações de comércio exterior, e-commerce e transporte de cargas.”

O complexo também traz práticas de logística verde: “reaproveitamento de água da chuva, iluminação em LED, ventilação natural e sistemas inteligentes de eficiência energética.”

Infraestrutura social e posição estratégica

O Ciway 470 não é apenas galpões. A incorporadora destaca uma infraestrutura corporativa voltada às pessoas, com “centro administrativo, área gastronômica, lounge de convivência, quadra poliesportiva, ambulatório e um HUB corporativo com 5 mil m², que inclui restaurantes, salas comerciais, heliponto e auditório.”

A localização também é estratégica: o complexo está “entre os portos de Navegantes e Itajaí, com acesso direto às BRs 101 e 470.”

O efeito sobre o mercado já aparece nos números do setor: “A taxa de vacância está próxima de 3% e o valor do metro quadrado teve valorização superior a 300% na última década, segundo consultorias do setor.”

Ambiente fiscal e reorganização da cadeia logística

Além da infraestrutura, fatores tributários estimulam a movimentação: “O estado mantém alíquotas reduzidas de ICMS e municípios como Navegantes praticam ISS de apenas 2%, uma das menores do Brasil” — elementos que atraem operadores logísticos e centros de distribuição.

Na visão do setor, a transformação exige integração: “O crescimento do setor portuário catarinense tem provocado uma reorganização completa da cadeia logística no estado. A nova geração de complexos logísticos precisa dialogar com esse cenário e oferecer infraestrutura integrada, reduzir custos operacionais e atender a padrões internacionais de desempenho ambiental”, afirma Lucas Saes, diretor administrativo do Grupo Saes.

Reflexão cristã e perspectiva humana — por Leonardo de Paula Duarte

Como colunista, vejo neste momento uma oportunidade para lembrar que o desenvolvimento técnico e econômico caminha melhor quando considera as pessoas e a criação. Projetos como o Ciway 470 que incorporam espaços de convivência e práticas sustentáveis estão alinhados com a responsabilidade social e ambiental que parte da fé nos inspira.

Uma lembrança bíblica: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmo 127:1, NTLH). Essa imagem não diminui a importância do investimento, mas convida a colocar propósito e ética no centro das decisões.

Em termos práticos, empresários e gestores têm diante de si o desafio de equilibrar eficiência logística, respeito ao meio ambiente e qualidade de vida das equipes. O cenário é promissor, e a fé nos lembra que progresso verdadeiro é aquele que deixa legado humano e sustentável.

Leonardo de Paula Duarte

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